Algumas poucas palavras, as primeiras e seu desenvolvimento, sobre o que me ficou depois que assisti ao filme Push (Preciosa). O filme é forte, mas não é pesado. Otimista sem cair em absolutamente nenhum clichê. O tipo de coisa que eu não me lembro de ter visto nos cinemas há muito tempo. O mais forte rompimento não agressivo com o ktsch que já vi.
Eu penso que é difícil de explicar porque talvez seja difícil para todos - ou alguns - entenderem. E eu entendo a dificuldade, de um de outro lado. E acredito que entender não é desculpa: é apenas um primeiro e necessário passo para a mudança. Entender não basta, mas é essencial.
A classe média branca não sabe. Nao sabe muita coisa. Não sabe que não é o padrão, não sabe que não é a maioria, não sabe como é a vida fora da bela bolha em que tenta - em vão - se manter. A classe media nao é a maioria, mas está em todo lugar, mais ou menos classe, mais ou menos media, mas em todo lugar. E se em terra de cego, quem tem um olho é rei, todos querem ser A ou DA nobreza.
Pense num pais como o Brasil. Veja a mídia, o padrao de beleza e consumo que a Globo diz que o brasileiro tem. Guarde. Agora pensa num casal branco ou mais ou menos branco, com uma renda suficiente para uma vida pouco além do decente, pouco aquem do confortavel. Ele e ela trabalham, os dois com pelo menos o nível superior incompleto. Alguns anos de casados, sem filhos. Um dia por descuido, acomodação ou planejamento, ela engravida. Pensa na noticia sendo dada a você. Escreva num papel o que vc diria aos pais e guarde.
Agora pense numa garota de 16, 17 anos, negra, ou mais ou menos negra, extremamente pobre, inserida num cenário de fragilidade social, estudante de escola pública, que ainda não trabalha e cuja renda familiar não chega a um salário mínimo, para pai, mãe, avó, e tres ou quatro irmãos. O namorado dela, de quase a mesma idade, frequentador da mesma escola, também ainda não entrou no mercado de trabalho. Eles namoram há quatro meses. Um dia, não por acomodação e muito menos por planejamento, ela engravida. Pensa na notícia sendo dada a você. Escreva num papel o que vc diria aos pais e guarde.
Por fim, pegue os dois papéis, coloque-os lado a lado e leia. As mensagens são iguais? Está escrito parabéns (sem ironia) em ambos os papéis? Essas duas crianças, concebidas no mesmo dia, na mesma região da cidade, vão nascer no mesmo hospital, estudar na mesma escola, ter a mesma alimentação, o mesmo carinho dos pais, dos avós, ter a mesma proteção e chances iguais de um futuro promissor?
Ninguém chama bebês de vagabundos, inúteis, burros ou viciados. Não. É melhor esperar que eles cresçam pra se fazer isso com muito mais propriedade.
Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Ani e Desaniversários
Acaba de me ocorrer que o La Perrita de Ayer completou aproximadamente 1 ano de vida, a dizer, de estréia. Ainda que cr...
sinto-me: Profundamente nerd
música: In eye on the tiger, by Rock Band aqui do lado
Domingo, 13 de Dezembro de 2009
Post-macarrão a la Ju...
Final de semana passado foi tomado pelo ENEM. Aff, é o que eu posso dizer.
Pois bem, no sábado, depois de voltar pr...
sinto-me: A chef de cozinha!
música: O barulho da Cidade
Sábado, 5 de Dezembro de 2009
Guerras Invisíveis e ...
Resumo Didático: Se o @aarles (Do Arlesophia) incorreu em Uso Indevido da Marca, comete-se, em resposta, Constrangi...
sinto-me: Com gripe
música: O barulho do ventilador
Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Julia&Julie ou Cozinh...
As melhores palavras para descrever o filme são as onomatopéicas. Além das risadas, dos sorrisos e dos risinhos. Piada...
sinto-me: Com quase 30 anos
música: O barulho da Cidade